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9 horas atrásem
Por
Gazeta do Oeste
Uma operação conjunta resultou no resgate de 22 mulheres mantidas em condições análogas à escravidão em estabelecimentos de exploração sexual nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A ação, batizada de Operação Donos da Noite, foi deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (10), e os dados foram consolidados nesta terça-feira (16) pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.
Do total de vítimas, quatro foram localizadas em Goiana (PE) e as outras 18 em municípios da Paraíba — estado onde estava concentrada a maior parte das atividades do grupo criminoso investigado. As fiscalizações ocorreram em seis endereços, nas cidades de Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande (PB), além de Goiana (PE) e Nova Cruz (RN). No município potiguar, o estabelecimento estava fechado no momento da vistoria, mas foram apreendidos cadernos de controle de dívidas, malas e outros indícios que comprovam a exploração das trabalhadoras.
Os responsáveis pelos locais eram uma mesma empregadora e membros de sua família, conforme identificado durante as apurações. A líder da organização já foi notificada oficialmente pela Auditoria-Fiscal, que determinou a interrupção imediata das atividades, o pagamento de todos os direitos trabalhistas devidos, o custeio do retorno das vítimas às suas cidades de origem e o fim de todas as práticas abusivas.
Como funcionava o esquema de exploração
O controle sobre as mulheres era mantido por meio de um sistema de dívidas criado para mantê-las presas ao estabelecimento. Elas recebiam cobranças por alimentação, produtos de higiene, roupas, perfumes, procedimentos estéticos e até pela lavagem de roupas — valores definidos sem critérios claros e sem transparência. Em muitos casos, ao final da semana, não restava nenhum valor para ser recebido.
Além das dívidas, eram impostas metas rigorosas: o consumo de 40 doses de bebida alcoólica por semana e a realização de 20 programas sexuais por dia. Quem não cumpria as regras recebia multas que eram somadas ao valor já devido. Câmeras de vigilância e pressão psicológica também eram usadas para restringir a circulação e a liberdade das vítimas.
A rotina de trabalho era exaustiva: de segunda a sexta-feira, a jornada ia das 14h às 4h da madrugada. Nos finais de semana, começava ao meio-dia e só terminava quando saía o último cliente, sem direito a horário definido ou períodos de descanso.
Durante os depoimentos, as mulheres relataram ainda casos de estupro, abuso sexual e o uso forçado de bebidas e substâncias para que cumprissem as metas. As instalações também eram precárias: elas dormiam e trabalhavam em quartos coletivos, com banheiros em condições ruins, e em alguns casos o mesmo espaço servia de moradia e de local de atendimento.
As investigações seguem em andamento, e a auditoria informa que outras vítimas exploradas pelo mesmo grupo podem ser identificadas ao longo das apurações.
Fonte: g1/PB | Foto: Reprodução
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