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ECONOMIA

População em situação de rua dispara 134% no RN e supera média nacional

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O número de pessoas em situação de rua no Rio Grande do Norte cresceu 134,1% entre os anos de 2020 e 2025, índice que supera amplamente a média de crescimento registrada em todo o Brasil, de 97,4% no mesmo período. Os dados constam de levantamento oficial do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Conforme o estudo, o estado passou a registrar 3.345 pessoas nessa condição, figurando como o quinto estado da região Nordeste com o maior contingente populacional vivendo nas ruas. A distribuição territorial revela forte concentração nas maiores cidades: a capital Natal reúne 62,9% do total de registros; em seguida aparecem Mossoró, com 10,49%, e Parnamirim, com 8,61%.

O perfil traçado pela pesquisa aponta uma população majoritariamente composta por homens, correspondentes a 89% do total, pessoas negras, que representam 80,4%, e adultos na faixa etária de 40 a 59 anos, somando 52,7%. Outro dado que chama atenção é o baixo nível de escolaridade: 41,9% possuem apenas o ensino fundamental incompleto, enquanto 26,8% não têm nenhuma instrução formal.

Para contextualizar o aumento expressivo, dados do Cadastro Único para Programas Sociais reforçam o cenário de crescimento também em âmbito nacional. Entre dezembro de 2022 e junho de 2026, o número de pessoas em situação de rua inscritas no sistema federal praticamente dobrou, passando de 198,7 mil para 392,4 mil, um acréscimo de 97,4%. Esse crescimento reflete tanto o agravamento de fatores estruturais quanto o avanço no processo de cadastramento pelas prefeituras.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a expansão dos registros está associada a causas como fragilização de vínculos familiares, desemprego persistente, crises econômicas, uso de substâncias, violência doméstica e efeitos de eventos climáticos. Paralelamente, o governo federal argumenta que houve aprimoramento nas capacitações de equipes da assistência social, o que reduz a subnotificação histórica.

No entanto, a velocidade com que os números avançam no RN levanta alertas entre especialistas e órgãos de defesa de direitos humanos. O crescimento quase duas vezes superior à média nacional indica que a rede de apoio local não tem conseguido acompanhar a demanda, expondo uma parcela crescente da população a riscos de saúde, segurança e perda de cidadania.

A situação aponta para a necessidade de ampliação de serviços de acolhimento, atendimento em saúde, apoio psicossocial e políticas de geração de renda, voltadas especificamente ao perfil detectado: adultos com baixa escolaridade e poucas perspectivas de reinserção no mercado de trabalho formal.

Fonte: Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e CadÚnico/MDS

Foto: Reprodução

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