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ECONOMIA

Safra do melão no RN: Projeção otimista de R$ 1,42 bilhão contrasta com cautela de produtores

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A safra 2026/2027 do melão potiguar promete movimentar R$ 1,42 bilhão, com a expectativa de embarque de 250 mil toneladas de frutas pelo Porto de Natal para o mercado externo. A projeção, divulgada pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), representa um crescimento de 4,4% em relação à safra anterior. A primeira embarcação deste ciclo já seguiu para a Europa na última sexta-feira (14), com destino a portos no Reino Unido e Holanda, transportando cerca de 5 mil toneladas.

Dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN) mostram que, de janeiro a junho, as exportações de melões do RN movimentaram US$ 51,4 milhões. Espanha, Países Baixos e Reino Unido foram os principais destinos, respondendo por cerca de 94% do valor exportado no primeiro semestre. A Codern destaca a posição estratégica do Porto de Natal, estimando que 70% do melão e melancia consumidos na Europa chegam por ali.

Otimismo x Cautela

Carlo Porro, CEO da Agrícola Famosa, maior exportadora do estado, está otimista. Ele projeta um início de safra “bem melhor” que o ano passado, impulsionado pelo calor extremo na Europa que prejudicou a qualidade do melão espanhol. Com menos concorrência, a expectativa é de bons preços para a fruta potiguar. A Agrícola Famosa, que detém mais de 65% do market share da fruta brasileira na Europa, busca consolidar essa participação e expandir para Canadá e Estados Unidos.

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) compartilha a perspectiva positiva, citando o bom desempenho da safra anterior e a redução da oferta em países concorrentes da América Central.

No entanto, o Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex-RN) adota uma postura de “extrema cautela”. O presidente Fábio Queiroga ressalta que o foco é manter a atividade, não expandir, devido a um ano político que traz riscos para a economia, instabilidade no câmbio e desafios no mercado consumidor. A dificuldade de exportar para os EUA devido a tarifas e o receio de retração no mercado europeu, associada ao uso de medicamentos para redução de peso, são preocupações.

Para Queiroga, os números da safra anterior não servem como base para este ano, pois os custos de produção foram drasticamente reajustados pela guerra no Oriente Médio.

Fonte: Tribuna do Norte | Foto: Alex Régis

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