INVESTIGAÇÃO
Operação Mederi: PF rastreia R$ 146 milhões e aponta esquema de corrupção na saúde que tem Mossoró como epicentro
Publicado
4 meses atrásem
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Gazeta do Oeste
A Polícia Federal revelou que já rastreou a movimentação de R$ 146 milhões em recursos relacionados ao suposto esquema de desvio de verbas da saúde pública investigado na Operação Mederi. O valor foi identificado por meio de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e da quebra de sigilo bancário dos envolvidos, com saques em espécie que somam mais de R$ 12 milhões.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (22) pelo jornalista Dinarte Assunção, com acesso aos relatórios da PF e ao processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), sob relatoria do desembargador Rogério Fialho.
Mossoró como “pulmão” do esquema
Deflagrada em 27 de janeiro de 2026, a Operação Mederi investiga contratos fraudulentos firmados pela empresa DisMed Distribuidora de Medicamentos com pelo menos 22 prefeituras do Rio Grande do Norte. Conforme o inquérito, a gestão municipal de Mossoró é apontada como o centro das operações: “o pulmão do esquema”, sem o qual a estrutura não conseguiria atrair novos municípios.
Segundo a PF, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) é considerado o chefe da organização criminosa, com direito a receber 15% do valor das propinas. Os cálculos da investigação indicam que ele pode ter embolsado mais de R$ 2,2 milhões apenas dos contratos com a DisMed, entre 2022 e 2025. Allyson Bezerra nega as acusações e afirma que não há provas materiais que o vinculem ao esquema.
Já o atual prefeito Marcos Bezerra (Republicanos), que assumiu o cargo após a renúncia de Allyson, é descrito como “ponto de contato” entre a empresa e a prefeitura e apontado como destinatário de valores ilícitos.
Outros envolvidos e provas
Além dos gestores, a investigação cita o ex-secretário de Saúde Almir Mariano, no domicílio do qual foram encontrados R$ 57,5 mil em dinheiro, e a ex-diretora financeira da pasta Poliana Rezende Dantas, nomeada em janeiro de 2025 e já em contato com sócios da DisMed semanas antes da posse.
No núcleo empresarial, o principal operador seria Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio-administrador da DisMed, citado em áudios interceptados ao afirmar ter controle sobre processos licitatórios de cerca de 15 municípios. Também constam como investigados familiares e parceiros comerciais, incluindo o cunhado Maycon Lucas Zacarias Soares, com quem foi apreendida uma arma de fogo, e a esposa de Oseas, Roberta Ferreira Praxedes Costa, proprietária da Drogaria Mais Saúde.
A investigação identificou ainda o uso de contas “laranjas”, entre elas a de uma filha menor de idade do casal, que recebeu mais de R$ 427 mil em depósitos considerados suspeitos pela PF.
Risco à população
Um ponto levantado pelos investigadores é o volume de medicamentos adquiridos de forma irregular. Somente em 2025, a gestão de Mossoró comprou cerca de 8 milhões de comprimidos para hipertensão arterial por meio dos contratos sob suspeita, o que coloca em risco a segurança e a qualidade do atendimento à população.
Até o momento, sete pessoas respondem diretamente no processo, algumas com uso de tornozeleira eletrônica. Municípios como Apodi e Pau dos Ferros também aparecem no inquérito, mas seus gestores negam participação em qualquer irregularidade.
Informações com crédito ao Jornal de Fato, assinadas por Edilson Damasceno.
Foto: Reprodução
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