ECONOMIA
Crédito rural para agricultura familiar soma R$ 716,77 milhões no RN
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2 meses atrásem
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Gazeta do Oeste
A agricultura familiar concentrou 72% de todo o crédito rural concedido no Rio Grande do Norte nos 12 meses encerrados em julho deste ano, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O volume total liberado alcançou R$ 716,77 milhões, o que representa um crescimento de 31% em relação aos R$ 546,57 milhões registrados no período anterior. No balanço geral, o crédito rural concedido no Estado cresceu 9%, saltando de R$ 910 milhões para R$ 991 milhões.
Os dados, divulgados pelo Banco Central, reúnem operações realizadas por instituições públicas e privadas. Além do Pronaf, também se destacaram o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF/FTRA), que passou de R$ 3,40 milhões para R$ 4,90 milhões, e o Funcafé, cujos recursos evoluíram de R$ 1,80 milhão para R$ 4,50 milhões no mesmo período.
O economista Helder Cavalcanti avalia o crescimento de 9% como positivo, sobretudo pela concentração dos recursos na agricultura familiar, segmento em que “produção, renda familiar e desenvolvimento local estão profundamente interligados”.
“Na agricultura familiar essa dimensão é ainda mais relevante, porque muitas vezes o orçamento da propriedade e o orçamento da família praticamente se confundem. A decisão de financiar uma máquina, ampliar a produção ou investir em irrigação interfere diretamente na segurança financeira daquela família”, observa o economista.
Marcos Barbosa, consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, destaca que além de gerar liquidez imediata e movimentar toda a cadeia produtiva, o crédito rural fortalece a segurança alimentar no Estado. Ele também ressalta que o salto de 31% no Pronaf reflete o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao pequeno produtor e a maior proximidade das instituições financeiras com o interior potiguar.
“Houve uma reestruturação da demanda: enquanto financiamentos tradicionais e linhas voltadas a médios produtores, como o Pronamp, apresentaram acomodação, a agricultura familiar assumiu o protagonismo”, completa.
Helder Cavalcanti alerta, contudo, que o crescimento do crédito não significa, automaticamente, ampliação da produção. “Precisamos saber onde esse dinheiro está sendo aplicado e quais resultados está produzindo. Parte do aumento do financiamento pode representar novos investimentos e ampliação da produção, mas outra parte pode simplesmente refletir custos maiores de insumos, equipamentos e custeio”, pondera.
Dados detalhados das linhas de crédito revelam ainda crescimento expressivo em tecnologia e inovação. Os recursos do Inovagro cresceram 45,4%, atingindo R$ 1,10 milhão. Já o Banco do Nordeste (BNB), principal agente do Pronaf no Estado, registra expansão também nos limites de crédito.
“Uma família devidamente regularizada no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), que é o documento oficial de identificação e qualificação do Pronaf B, pode tomar até R$ 69 mil junto ao Agroamigo”, informa Jeová Lins, superintendente do BNB no Rio Grande do Norte. Já no Pronaf V, para famílias com renda anual de até R$ 360 mil, o limite chega a R$ 100 mil. Fora do Agroamigo, o BNB oferece ainda recursos do Pronaf A, para famílias assentadas em projetos de Reforma Agrária, com limite de R$ 58 mil, incluindo R$ 3 mil referentes à assistência técnica.
A instituição destaca ainda que, mesmo diante do cenário de estiagem e da necessidade de convivência com o semiárido, a inadimplência no programa é baixa, girando em torno de 2%. “Nossa adimplência com o Agroamigo supera os 98%. O agricultor familiar, como toda pessoa humilde, é um bom pagador. Já disseram que quem tem pouco, gosta de zelar o pouco que tem. E ter o nome limpo é valioso para os agricultores”, finaliza Jeová Lins.
Fonte: Tribuna do Norte | Foto: Cledivania Pereira
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